Há tempos que a arte e a musica deixaram de estabelecer uma relação de dicotomia para convergir rumo a um mesmo campo. O século XX foi o grande desencadeador da união entre essas duas categorias, iniciando com a pesquisa de artistas e músicos que passaram a questionar as concepções da arte como mero objeto visual estático ou da música como um elemento necessariamente sincrônico. A percepção do ruído como potência sonora e a ligação quase que indissociável entre imagem e som levaram a ampliação dos horizontes sinestésicos no campo artístico.

Pensando no som/barulho já inserido como instrumento de criação e proposição no campo visual, intento reunir neste trabalho uma linha chave de relações entre a musica e as artes plásticas, partindo de trabalhos experimentais da década de 60 até chegar ao cenário atual, analisando as diferentes materializações do conceito sonoro e a relação entre obra e público. Para tanto, utilizarei como base exemplificativa o trabalho de um grupo de artistas contemporâneos, o Chelpa Ferro.

Esse coletivo é formando por três artistas brasileiros: Luiz Zerbini, Sergio Mekler e Barrão; cada qual com uma trajetória individual bastante distinta. Barrão é reconhecido por seu trabalho escultórico, no qual utiliza sobras e fragmentos de objetos cotidianos; Sérgio Melker edita e constrói vídeos atados a fragmentos de imagens  e  Luiz Zerbini consta com uma fundamentada carreira no ramo da pintura. A fusão entre estas referências pessoais da origem ao trabalho do Chelpa, que dificilmente pode ser enquadrado em um única esfera, permeando pelos ramos da instalação, música experimental, performance, sound art, etc.

Fazendo uso dessas mídias variadas, o grupo propõe uma revisitação sensorial, tendo como elemento condutivo a utilização do ruído. As obras do Chelpa buscam suas bases tanto nos clássicos experimentalistas do Fluxus, tal como John Cage, permeando ainda por expoentes da música underground  e pela utilização de materiais “ordinários” que muitas vezes fazem referência a cultura popular local. Trata-se portanto de uma abordagem massiva acerca de todas as vertentes que permearam pelo campo congruente entre música e artes visuais, revisitando esta temática através do olhar contemporâneo e da troca com o publico.

 

“ [...] O Chelpa Ferro não propõe uma unificação dos sentidos com que se apreende o mundo, limitando-se a indicar a possibilidade de traduzi-los uns nos demais, sem hierarquias definidas e de forma inescapavelmente truncada. Em vez de advogar o apagamento das diferenças entre as faculdades do olhar e da escuta, o que o grupo faz é oferecer, a quem se aproxime de seus trabalhos, um embaralhamento sensorial. [...]”

Moacir dos Anjos

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

- ANJOS, Moacir dos.  Arte BRA Critica.  Rio de Janeiro: Automática, 2010

- LICHT, Alan. Sound Art: Beyond Music, Between Categories. New York:  Rizzoli, 2007.

- ZERBINI, Luiz ; MEKLER, Sergio; BARRAO. Chelpa Ferro. São Paulo: IMESP ,2008.


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