Duplo Negativo/Double Negative

Na próxima semana, sábado dia 17 de Fevereiro, às 21.30, inaugura no CIAJG, em Guimarães, a minha exposição Duplo Negativo, sobretudo com trabalho novo mas que revisita também coisas anteriores.
Na mesma altura inaugura uma exposição do Christian Andersson (When Science Fiction Was Dead).

Next week, Saturday, February 17th, at 9.30 pm, opens my  show Double Negative at CIAJG, in Guimarães, mainly with new works but revisiting also my previous work.
At the same time it opens an exhibition of Christian Andersson (When Science Fiction Was Dead).

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Caleidoscópio

Inaugura este sábado, dia 16 de Dezembro, nos Maus Hábitos e na Galeria do Sol (CCOP), no Porto. | Opens this Saturday, December 16th, at Maus Hábitos and Galeria do Sol (CCOP), in Porto.

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Sistema Solar (Tarrafal)

Amanhã, dia 19 e sexta, dia 20 de Outubro, apresento na dome do Planetário a instalação “Sistema Solar (Tarrafal)”, em ambos os dias das 16 h às 19h.
Esta apresentação acontece no âmbito do Encontro A Glimmer of Freedom, que terá lugar na FLUP e no Planetário do Porto.

Tomoorow, 19th October,  and Friday, 20th, I present a new work — Solar Sistem (Tarrafal) at Planetário do Porto, from 16h to 18.30.
This presentation happens in the context of the Seminar A Glimmer of Freedom.

Mais info/More info: Programa

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A Arte como Experiência do Real/Art as Experience of the Real

Inaugura na próxima quinta-feira, dia 29 de junho, a exposição ‘A Arte como Experiência do Real –
Coleção de Ivo Martins em Depósito não Museu de Serralves’, no CIAJG de Guimarães. (O título da exposição retoma o nome de uma exposição que fiz em 1995 no CAPC de Coimbra)
Mostram-se aí as minhas peças ‘100 ilhas catalépticas’, ’16  fantasmas’ e  dois ‘Carrosséis Saturninos’.

Opens  next Thursday, June 29th, the exhibition’ Art as Experience of the Real – Collection of Ivo Martins in Deposit at the Museum of Serralves’, at CIAG, Guimarães, Portugal. (The title of the exhibition picks the name of an 1995’s exhibition of mine  at the CAPC in Coimbra
There are shown my pieces’ 100 cataleptic islands’, ’16 ghosts’ and two of the ‘Saturnian Carousels’.

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A arte como experiência do real (montagem)

A instalar as ‘100 ilhas catalépticas’ e os “16  fantasmas” para a exposição ‘A Arte como Experiência do Real –
Coleção de Ivo Martins em Depósito não Museu de Serralves’
(Inaugura no próximo dia 29 de junho)

Installing the works ‘100 cataleptic islands’, ’16 ghosts ‘and’ Saturnian Carousels’ for the exhibition’ Art as Experience of the Real – Collection of Ivo Martins in Deposit at the Museum of Serralves’
(Opens on June 29th)

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The Missing Tree

Quando eu era pequeno, havia um grande choupo em frente ao meu quarto. Todos os dias sentia a sua presença. De manhã, no Verão, fazia sombra sobre a minha janela e, com o vento, ouvia o som cheio e ritmado das suas folhas em movimento. No Inverno eram os ramos, já despidos, que assobiavam e rangiam ao som do vento. E havia ainda os pássaros, muitos pássaros. Um dia, já não me lembro bem em que altura do ano, numa daquelas tempestades que à distância nos parecem vir de uma outra era, o choupo caiu, de uma vez, com estrondo, sobre o passeio. Plantaram depois uma nova árvore mas era ainda muito pequena e saí daquela casa antes de a ver crescer o suficiente. Depois desse dia parecia que vivia num outro lugar. Dormia de janela aberta e agora, logo de manhã cedo, a luz era demasiado intensa. Deitado na cama faltavam-me as sombras animadas sobre o tecto e as paredes, faltavam-me sobretudo os sons que me faziam adivinhar a presença daquela árvore cujas folhas, sempre que por sorte se esqueciam de a podar, chegavam a tocar os vidros da minha janela. No entanto, descobri depois que afinal a árvore não tinha desaparecido. Tinha-se apenas transformado. Continuei a lembrar-me dela e muitas vezes sentia até a sua presença, como uma aparição, como um fantasma amigo que me vinha visitar, só que já não a mesma árvore mas uma outra, mudada pelos trajectos entre o real e o imaginário.

Os jogos da memória são sempre jogos com os fantasmas, com a fantasia que caracteriza toda a relação com o fantasmático. No grego que dá origem à palavra, phantasma é uma aparição, um espectro. Convocar a memória seria assim quase sempre um jogo com os espectros do passado. Contudo, se pensarmos nesses jogos apenas como uma operação arqueológica estaremos talvez a esquecer o essencial. Os jogos da memória fazem-se tanto com o passado como com aquilo que há-de vir, porque os trajectos do imaginário projectam-se sempre no futuro, por vezes quase como um oráculo. O imaginário é por isso uma espécie de real em potência, virtual portanto, uma viagem feita de trajectos nómadas entre o passado e o futuro, entre o real e a imaginação.

Deleuze diz-nos que “uma viagem real não tem por si só a força de se reflectir na imaginação”, e diz-nos também que uma “viagem imaginária não tem por si só a força […] de se verificar no real”, concluindo que se uma viagem não é possível sem a outra, o imaginário e o real só podem ser vistos como um espelho móvel, duas partes de uma mesma trajectória. Desta forma, a imaginação é uma operação híbrida que junta ao objecto real uma imagem virtual, constituindo aquilo a que Deleuze chama “um cristal de inconsciente”. São esses cristais aquilo que se liberta nesses trajectos entre o real e a imaginação e, do mesmo modo, são esses cristais de inconsciente que se formam nos jogos da memória, dessa memória que recusa uma função meramente arqueológica para se constituir como um mapa intensivo e afectivo do mundo e das coisas do mundo.

Trabalhar num espaço como o da Casa da imagem, como acontece nesta exposição, incorporando os seus objectos, os seus espaços e, sobretudo, a memória que eles convocam, não poderia ser um exercício meramente arqueológico. Pelo contrário, encontramos aqui uma tentativa de construir um mapa intensivo e por vezes subtil dos cristais de inconsciente que se formam cada vez que os trajectos do real e imaginário se cruzam, cada vez que o imaginário inventa um futuro, como esse futuro que parecia estar à espera de acordar em cada uma daquelas salas, em cada um daqueles objectos

ML
Maio de 2017

Texto para o folheto da exposição de Serena Barbieri e Tânia Geiroto Marcelino na Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, Maio de 2017.

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Selva Camaleónica

camaleo-03-a5_small2Selva camaleónica

Henri Rousseau, conhecido pelas suas pinturas de selvas e outras paisagens exóticas, nunca saiu de França em toda a sua vida. Pintou a partir de imagens que circulavam, do que via nos jardins botânicos ou zoológicos e das histórias que ouvia sobre lugares distantes e secretos. Pintou também imaginando a selva ali mesmo, nos subúrbios de Paris. Excessivas e irreais, as selvas tropicais de Rousseau, habitadas por animais mais ou menos ferozes, foram assim o resultado de uma imaginação setentrional e oitocentista.

Por qualquer razão que não sei explicar, antes mesmo do título desta exposição, vieram-me à cabeça algumas imagens. Todas elas, de um modo ou de outro, estavam também ligadas à selva ou, pelo menos, a uma certa encenação ou ideia do que pudesse ser a selva. Lembrei-me então dos velhos livros de estampas que folheava em miúdo, até antes de saber ler, e que me levavam para outros lugares. Lembrei-me das selvas do W. Burroughs, caóticas e virais, onde viviam espécies perdidas e criaturas híbridas. Lembrei-me dos mundos esquecidos onde habitavam seres estranhos e nos quais se adivinhava ainda a desmesura dos corpos e a indistinção entre o reino animal e o vegetal. Lembrei-me sobretudo da infinita capacidade de transformação que as coisas do mundo revelam a todo o momento, ultrapassando o simples jogo das aparências para nos oferecerem outra coisa, mais profunda e insondável. Só então surgiu a camaleónica e, depois, os desenhos que abrem este catálogo.

Camaleónica é a condição do camaleão ou daquilo que se comporta como tal. O camaleão é um réptil de olhos salientes e longa língua. Muitas espécies de camaleões têm a capacidade de mudar de cor, reagindo a ameaças externas através das suas próprias alterações de humor, do medo à irritação, tornando-os mestres da camuflagem e da invisibilidade.  A condição camaleónica é, pois, a da mudança, da transformação, quase como se o mundo se viesse alojar na própria pele, quase como se o mundo habitasse o nosso corpo. Nesse processo de transformação, há uma exterioridade que se define a partir de dentro e que é acima de tudo uma experiência da multiplicidade. Um que é muitos, muitos que são apenas um. Mas não nos enganemos. Não se trata de replicar ou de projectar o mundo em nós ou no corpo mas antes de nos tornarmos mundo, numa espécie de mutação imperceptível que é também um devir-outro, uma experiência de alteridade.

Sem uma hipersensibilidade às coisas do mundo essa experiência da alteridade não parece possível. Quando falo de hipersensibilidade, refiro-me precisamente à capacidade mediúnica que permite que as coisas nos atravessem, que permite que sejamos um lugar de trânsito. No limite, essa hipersensibilidade pode ser descrita como uma experiência telepática, um tremor que nos atravessa o corpo e nos faz compreender aquilo que nos toca. Veja-se essa qualidade especial dos corpos que tudo sentem mas que, por vezes, não podem ser tocados, justamente porque sentem demasiado.  Tais corpos, na sua hipersensibilidade, desejam o mundo mas ao mesmo tempo receiam-no. São tão sensíveis que só sentem o mundo tornando-se mundo e, em alguns momentos, essa experiência é tão intensa que se torna insuportável.

Ora, para ser verdadeiramente consumado, esse movimento contraditório, que aproxima tanto quanto repele aquilo que nos é estranho, exige de nós um intenso processo de transformação camaleónica que implica uma resistência a toda a cristalização, seja da identidade, das relações, dos lugares ou das memórias. Só assim nos aproximaremos do(s) outro(s) e do que nos é estranho.

Esse movimento tem talvez um nome: devir-imperceptível.

 E o que pode ser esse desejo de imperceptibilidade, esse movimento em direcção ao mundo?

Em primeiro lugar, devemos recordar que por natureza o próprio movimento é imperceptível, isto é, todo o movimento implica uma certa indefinição perceptiva. O movimento é aquilo que só percebemos na relação entre dois tempos, o antes e o depois. Há movimento quando percebemos essa deslocação. No entanto, o movimento foi aquilo que justamente não percebemos. Sabemos que houve um trânsito mas não temos como explicá-lo, não temos como suspender o movimento no momento em que este se faz. Por isso, o movimento é mágico e encantatório.

Deleuze e Guattari falam-nos da relação entre o imperceptível, o indiscernível e o impessoal; dizem-nos que essas são condições que implicam a transparência. Eu diria que são condições que se ligam à invisibilidade e a uma função deceptiva: não ser aquilo que se espera mas sim aquilo que se deseja.

Devir-imperceptível será assim a consumação de um desejo de transformação, de se confundir com o mundo, de se tornar mundo, todo o mundo. Dito de outro modo, esse desejo de imperceptibilidade é um desejo de intensidade perceptiva. De tanto se querer sentir o mundo tornamo-nos mundo e fazemos mundo. Esse é um desejo que não implica reproduzir o mundo mas sim fazê-lo, numa fórmula cósmica que se pode aproximar da feitiçaria.

As imagens que me assaltaram o espírito antes mesmo de surgir esta exposição, as imagens da selva, têm esse carácter mágico e feiticeiro que se pode associar à transformação camaleónica. Se há então alguma coisa que possa definir semelhante transformação é justamente a mesma intensidade perceptiva e mágica que encontramos no desejo de imperceptibilidade, e esse é, como vimos, um desejo de intensidade na relação com as coisas do mundo.

Sejam bem-vindos à selva camaleónica.

Miguel Leal

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Camaleónica

Inaugura amanhã, sexta-feira, dia 3, às 18 horas, no CAPC sede, em Coimbra, a exposição ‘Camaleónica’, que organizei a convite do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e que conta com a participação do André Sousa , da Diana Carvalho, da Mafalda Santos, da Mariana Caló e do Francisco Queimadela, do Nuno Ramalho (PT), do Pedro Wirz, da Schirin Kretschmann e da Sónia Neves.

It opens tomorrow, Friday, March 3, 6 PM, at CAPC, in Coimbra, Portugal, the exhbition ‘Camaleónica’, that I organized by invitation of the Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, with the participation of André Sousa , Diana Carvalho, Mafalda Santos, Mariana Caló and Francisco Queimadela, Nuno Ramalho (PT), Pedro Wirz, da Schirin Kretschmann and Sónia Neves.

Estão todos convidados/you are all invited

Mais informação: http://capc.com.pt/site/index.php/pt/camaleonica/

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Plankton

P L A N K T O N
Exposição e lançamento da publicação
Curadoria de Patrícia Matos
sexta-feira, dia 18, Storyboard Café, Porto » 21h00

Betânia Liberato e André Couto | Carlos Godinho | Felícia Teixeira e João Brojo | Filipa Cordeiro | Márcio Cunha | Miguel Leal | Nikolai Nekh | Patrícia Matos | Rebecca Moradalizadeh | Rita Roque e Colönia

This Friday, 18/11 opening and publication release, curated by Patrícia Matos.

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